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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Posicionamento Dinâmico - Parte 2


2 - Princípios Básicos de um Sistema DP

Posicionamento dinâmico pode ser descrito como uma integração de um número de sistemas de bordo para obter a capacidade de manobra precisas. DP pode ser definido como: Um processo envolvendo a ação de propulsores os quais, comandados por um controlador e opondo-se às forças do meio ambiente, mantém um navio ou qualquer outro dispositivo flutuante nas vizinhanças de um ponto de referência e ainda controlam o direcionamento de sua proa. A posição é conhecida a qualquer instante a partir dos dados transmitidos por um sistema de referência de posição.
A definição acima inclui a permanência em local fixo, também manobras de precisão, monitoramento e outras habilidades de posicionamento de especialistas.
Uma forma conveniente de se visualizar a inter-relação dos vários elementos de um sistema DP é dividir o sistema em seis partes, conforme o esboço abaixo.

ELEMENTOS DE UM SISTEMA DP

A função principal de um sistema DP é permitir que um navio mantenha a posição e o direcionamento da proa. Uma variedade de outras sub-funções podem estar disponíveis, mas o controle da posição e do direcionamento da proa é o principal.
Qualquer embarcação (ou outro objeto) têm seis movimentos livres; três rotações e três translações. Em um navio podem ser ilustrados com os parâmetros roll, pitch, yaw, surge, sway e heave.

Esboço das seis opções de movimento do navio


Ambos são controlados a partir dos valores desejados ou valores de entrada de “setpoint” feitos pelo operador, i.e. setpoint de posicionamento e setpoint de rumo. Posicionamento e rumo devem ser medidos para que se obtenha o erro a partir do valor requerido. O posicionamento é medido por um ou mais referências de posição, enquanto que a informação de rumo é medida por um ou mais bússolas giroscópicas (também conhecidos como agulha giroscópica e girocompasso). A diferença entre o setpoint e o feedback é um erro ou offset, e o sistema DP opera para minimizar estes erros.
O navio deve ser capaz de controlar a posição e o rumo dentro de limites aceitáveis frente a uma variedade de forças externas. Se estas forças forem medidas diretamente, os computadores de controle podem aplicar uma compensação imediata. Um bom exemplo deste tipo de compensação é a que é feita em face das forças do vento, onde uma medição contínua é disponibilizada a partir de sensores de vento (normalmente cataventos).
Além de manter a posição e o rumo, um sistema DP pode ser usado para alcançar mudança automática de posição e de rumo, ou ambas. O operador DP (DPO) pode escolher uma nova posição valendo-se as instalações do console de controle. O DPO pode também escolher a velocidade na qual ele deseja que o navio se mova. Similarmente, o operador pode entrar com um novo valor de rumo. O navio irá girar para o novo rumo dentro da taxa de giro selecionada, enquanto mantém-se na posição. Mudanças automática de posição e de rumo simultaneamente também são possíveis.
Algumas embarcações DP, tais como dragas, barcaças do tipo pipelay e cable lay têm necessidades de seguir uma rota pré-estabelecida. Outras precisam flutuar sobre um ponto pré-estabelecido. Este é modo utilizado por navios do tipo shuttle tank quando estão recebendo carga de um terminal offshore de carga. Outros navios seguem um alvo móvel, tal como um veículo submersível (ROV). Neste caso a posição de referência do navio é um veículo ao invés de um local fixo designado.

2.1 - Modelo DP

Diagrama en blocos de um sistema de controle

Todos navios estão sujeitos a forças do vento, ondas e movimentos de maré bem como a forças geradas a partir do sistema de propulsão e outros elementos externos (reação dos ejetores do sistema de combate a incêndio, tensores de cabos, etc). a resposta a estas forças é um movimento do navio, resultando em mudanças de posição e de direcionamento da proa. Estas são medidas pelo sistema de referência de posição e bússolas giroscópicas. O sistema de controle DP calcula os OFFSET’s entre os valores medidos de posicionamento e rumo, e os valores requeridos (ou setpoint), e calcula as forças que os thrusters devem gerar a fim de reduzirem os erros a zero. Além disso o sistema de controle DP calcula a força do vento que está agindo sobre o navio, e a força do thruster necessária para contra-agir, baseado no modelo do navio que está armazenado no computador.
A modelagem e a filtragem permitem que uma ‘NAVEGAÇÃO ESTIMADA’ ou modo ‘DR’ (Dead Reckoning) opere se todas referências de posição forem perdidas. O navio continuará a manter a posição automaticamente, embora a manutenção da posição se degrade com a extensão do aumento de tempo ocorrido desde o recebimento do último dado de posição. Em termos práticos, isto significa que o DPO não necessita  selecionar imediatamente o controle “manual” uma vez que perca todas posições de referência.
No início controladores PID foram utilizados e atualmente ainda encontram uso em sistems DP mais simples. Mas os controladores modernos utilizam modelos matemáticos do navio que é baseados na descrição hidrodinâmica e aerodinâmica com relação a algumas das características do navio tais como massa e araste. Claro que este modelo não é inteiramente correto. A posição do navio e o rumo são alimentados no sistema e comparados com a predição feita pelo modelo. Esta diferença é utilizada para atualizar o modelo usando a técnica de filtro Kalman. Por esta razão, o modelo também tem entrada a partir dos sensores de vento e reação dos propulsores. Este método permite ainda não ter entrada a partir de qualquer PRS durante algum tempo, dependendo da qualidade do modelo e do tempo. Este processo é conhecido como navegação estimada (dead reckonin – DR).

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Posicionamento Dinâmico - Parte 1


1 - Introdução
O posicionamento dinâmico ( DP ) é uma tecnologia de rápido amadurecimento, tendo nascido da necessidade das demandas crescentes da rápida expansão da indústria de exploração de gás e petróleo na década de 1960 e início de 1970. Mesmo agora, quando existem milhares de navios equipados com DP  a maioria deles são operacionalmente relacionados com a exploração das reservas de petróleo e gás.
As demandas da indústria offshore de petróleo e gás trouxeram um novo conjunto de requisitos. Além disto, os movimentos mais recentes em águas mais profundas e locais de ambientes ásperos, juntamente com a exigência de se considerar métodos menos agressivos ao meio ambiente, trouxe grande desenvolvimento na área de técnicas e tecnologia de posicionamento dinâmico.
O primeiro navio a cumprir a definição aceite de DP foi o "Eureka", de 1961, projetado e construído por Howard Shatto. Este navio foi equipado com um sistema de controle analógico de um tipo muito básico. Com propulsores direcionais a vante e a ré, além de sua propulsão principal, esta embarcação era de cerca de 450 toneladas de deslocamento e comprimento de 130 pés.
Ao final de 1970, DP tornou-se uma técnica bem estabelecida. Em 1980, o número de embarcações DP totalizaram cerca de 65, enquanto em 1985 o número tinha aumentado para cerca de 150. Atualmente existem milhares e ainda está se expandindo. É interessante notar a diversidade de tipos de navios e funções utilizando DP , e da maneira que, durante os últimos vinte anos, esta abrangeu muitas funções não relacionadas com a indústria offshore de petróleo e gás. A lista de atividades executadas pelas  embarcações DP incluem:

§  coring
§  exploration drilling (core sampling)
§  production drilling
§  diver support
§  pipelay (rigid and flexible pipe) O Pipelay Vessel (PLV) é um tipo de embarcação responsável, principalmente, pelo lançamento e instalação de linhas e equipamentos necessários junto aos poços de petróleo. 
cable lay and repair
§  multi-role
§  accommodation or 'flotel' services
§  hydrographic survey
§  pre- or post-operational survey
§  wreck survey, salvage and removal
§  dredging
§  rockdumping (pipeline protection)
§  subsea installation
§  lifting (topsides and subsea)
§  well stimulation and workover
§  platform supply
§  shuttle tanker offtake
§  Floating production (with or without storage)
§  heavy lift cargo transport
§  passenger cruises
§  mine countermeasures
§  oceanographical research
§  seabed mining

DP também é usado em:

§  posicionamento de plataforma de lançamento de foguetes
§  reparo / manutenção de apoio aos navios militares
§  transferência de navio a navio
§  manobrar navios convencionais

Os sistemas DP tornaram-se mais sofisticados e complicados, porém mais confiáveis. A tecnologia de computadores tem se desenvolvido rapidamente e algumas embarcações foram atualizados duplamente com novos sistemas de controle DP. Sistemas de posicionamento de referência e outros periféricos também estão melhorando e a característica de redundância é fornecida em todos os navios destinados a realizar operações de alto risco 1 .
1.1 - Fixação
Existem outros métodos para fixação de plataformas e de navios. Estes incluem amarrações distribuídas e fixas ou combinações de cada uma. Plataformas auto elevatórias (Jack-up) corrigem sua posição, retraindo as pernas para penetrar no leito do mar. Navios que utilizam amarras podem também ter ocasionalmente  sistemas DP de controle para auxiliar no início da operação posicionamento e, no caso de uma unidade ancorada, para reduzir a tensão da linha de amarração. Cada sistema tem vantagens e desvantagens.


Vantagens do DP:
§  Navio é totalmente auto-propulsionado; rebocadores não são necessários em qualquer fase da operação
§  Configuração no local é rápido e fácil
§  Navio é muito manobrável
§  Resposta rápida às mudanças climáticas é possível (cata-vento)
§  Resposta rápida a alterações nos requisitos da operação
§  Versatilidade dentro do sistema (ou seja, faixa seguinte, seguidor de ROV e outras funções especializadas)
§  Capacidade de trabalhar em qualquer profundidade da água
§  Pode executar tarefas curtas mais rapidamente, portanto, mais economicamente.
§  Evitar o risco de danos ao leito por amarras e âncoras
§  Evitar amarração-cruzada com outras embarcações ou plataformas fixas
§  Pode se mover para a nova localização rapidamente (também evitar o mau tempo)
Desvantagens do DP:
§  Gastos de capital e despesas operacionais elevados
§  Pode deixar de manter a posição devido à falha de equipamento
§  Maior consumo de combustível
§  Propulsores são perigosos para mergulhadores e ROV’s
§  Pode perder posição em condições climáticas extremas ou em águas rasas e marés fortes
§  Controle de posição é ativa e conta com operador humano (bem como os equipamentos)
§  Requer mais pessoal para operar e manter equipamentos
Do acima exposto, pode-se ver que DP não será sempre a solução mais econômica. Enquanto os navios que utilizam amarras tem uma série de vantagens, cada vez mais o DP é a melhor opção para muitas operações porque o fundo do mar está cheio de dutos e outros equipamentos. A opção de amarrar a uma plataforma ao invés do fundo do mar também é menos freqüente, porque os navios de apoio tornaram-se maiores e plataformas não são projetados para as cargas que podem ser colocados nas linhas de ancoragem. No entanto, existe um risco de que um navio DP entrar em contato com uma plataforma 3 .
Durante os anos 1990, houve um aumento rápido no número de navios com sistemas de posicionamento dinâmico. Muitos desses navios foram projetados para DP e controle integrado de motores e propulsores, mas há também um grande número de adaptações e atualizações. A situação é orientada para o mercado e se baseia na eficiência operacional que, por sua vez, coloca uma alta exigência de confiabilidade em equipamentos, operadores e gestores de navios.
Continua no próximo blog...